home Indústria Nova tecnologia abre caminho para melhorias na cadeia da palma de óleo no Brasil

Nova tecnologia abre caminho para melhorias na cadeia da palma de óleo no Brasil

A utilização de Ressonância Magnética Nuclear (RMN) possibilita o pagamento mais justo ao produtor,  remunerando-o pelo teor de óleo contido nos frutos

A mudança na precificação da matéria prima revolucionou toda a cadeia da cana-de-açúcar no país e isto já poderia ocorrer também com o mercado de óleo de palma (que no Brasil se equivale ao dendê), atualmente o óleo mais consumido no mundo. É o que afirma o diretor técnico da Associação Brasileira de Produtores de Óleo de Palma (ABRAPALMA) e diretor da DENPASA, Roberto Yokoyama, que diz também que a mudança na forma de comercialização resultaria em um mercado mais competitivo e justo, tanto para quem vende a matéria prima quanto para quem compra.

“O comércio de dendê, por exemplo, trabalha atualmente com a massa do fruto e não a massa do óleo. Não é sempre garantido que a colheita é feita no momento ideal, portanto o comprador pode receber frutos em diferentes graus de maturação, o que significa diferentes teores de óleo”, explica Yokoyama. “Esse mercado deveria seguir os passos da cana-de-açúcar, cuja comercialização se dá pelo teor de açúcar na fruta e não pelo peso da carga”, sugere.

O executivo afirma que no caso da cana-de açúcar o que impulsionou a mudança e melhoria na comercialização foram, além da análise da quantidade de açúcar no fruto, o ponto de colheita, o controle de pragas e a escolha de variedades adequadas. “Antes de ser pago pelo teor de açúcar, ninguém tinha este cuidado porque não fazia diferença do recebível. Graças a isto, a usina aumentou a produtividade, pois recebe matéria prima de melhor qualidade e o produtor passou a receber mais pela matéria prima. Todos saíram ganhando”, avalia.

Yokoyama explica que no caso da palma de óleo, dependendo do ponto de colheita, o teor de óleo no fruto pode variar até 10% a 12%. O mesmo pode acontecer também com o girassol, canola e outras oleaginosas. Ele lembra que no caso da cana-de-açúcar, os compradores medem o grau brix da carga recebida com refratômetro, e esta carga é precificada de acordo com o resultado da medida. “O maior problema para que a palma de óleo e outras oleaginosas sejam precificadas pelo teor  de óleo  é que os métodos disponíveis até o momento eram muito demoradas, caso das extrações com solventes, ou de difícil calibração e baixa precisão, caso do NIR”, aponta.

Yokoyama desenvolveu  uma metodologia própria de avaliação do estágio de maturação dos frutos,  que os separava classificando em maduros, quase maduros, verdes, passados e não polinizados, o que lhe permitia uma compra mais  justa e uma reeducação dos seus fornecedores, garantindo que esses colhessem os frutos em pontos de maturação com maiores rendimentos de óleo, consequentemente recebendo melhores remunerações nos frutos.

Procurando uma metodologia mais precisa, rápida e confiável, realizou muitas buscas e  encontrou a  FIT – Fine Instrument Technology, empresa sediada em São Carlos (SP),  que recentemente  desenvolveu um equipamento de  ressonância magnética capaz de analisar o teor de óleo de dendê em sementes, sem que estas passem por uma secagem prévia,  técnica esta inédita no mundo.  De acordo com Daniel Consalter, físico e sócio da FIT, essa análise utilizando sensores de ressonância magnética nuclear (RMN) já era utilizada para a previsão de rendimento em indústrias de beneficiamento e até para o melhoramento genético, porém em sementes com baixo teor de umidade ou previamente secas em estufa.

“Usualmente, para determinar o teor de óleo nas amostras, utiliza-se a extração com soxhlet, um método que pode demorar até 48 horas e envolve o uso de solventes tóxicos e aquecimento, ou seja, é um método lento, perigoso e ‘sujo’, pois gera resíduos. Com essa nova tecnologia, a medida pode ser feita em até três minutos, contando o tempo de amostragem e pesagem”, esclarece Consalter.

O SpecFIT Oil, nome dado ao equipamento,  emprega a tecnologia de Ressonância Magnética Nuclear (RMN), que trata-se de uma técnica robusta capaz de analisar os hidrogênios da amostra. A partir disso é possível tirar diversas informações de maneira rápida, limpa e não destrutiva. Uma dessas informações é o teor de óleo da amostra. Consalter destaca ainda que a máquina pode beneficiar todos os estágios do cultivo de óleo de dendê, que vão desde a produção até o beneficiamento.

O primeiro equipamento utilizado para a extração de óleo de dendê foi adquirido por Yokoyama e já opera tanto para a aquisição da matéria prima como na linha de produção da DENPASA, no Pará. Segundo ele, a utilização dessa tecnologia possibilitou a medição do potencial de produção de óleo de uma carga antes do processamento, permitindo de forma segura determinar o rendimento do teor de óleo, uma vez que uma usina extratora, não é uma revendedora de frutos e sim do óleo extraído dos frutos. Uma vez que os frutos adquiridos não tiverem o rendimento esperado de óleo, o risco de prejuízo no processamento é certo.

“A utilização do SpecFIT pode revolucionar o mercado de óleos e trazer mais competitividade ao setor, pois a tecnologia pode ajudar a definir o melhor ponto de colheita e conhecer o potencial rendimento da carga antes mesmo da extração, identificar possíveis falhas no processo de forma rápida e em tempo de calibar os equipamentos como prensa, tridecanter e outros, avaliando  as perdas nos subprodutos como o cacho vazio, fibra, borra e efluente. Uma outra aplicação do equipamento, seria no melhoramento genético das plantas, principalmente para facilitar a seleção em relação ao teor de óleo. A medida poderá ser feita também no produto já embalado evitando adulterações”, enumera Consalter.